Bloqueios humanos

Nos artigos anteriores vimos uma série de elementos relacionados a modernização das organizações para o cenário mundial no século XXI. Obviamente, não esgotamos o tema, mas fizemos um sobrevoo sobre alguns marcos importantes desse processo de evolutivo.

Para finalizar essa sequência, quero trazer outro elemento que amadurece a cada dia na mente de muitas lideranças de pensamento pelo mundo. É o que estamos chamando “amigavelmente” de NeuroSDM, onde S é para Science (ciência), D para Design e M para Marketing.

Porém, antes de avançar nesse ponto, preciso reforçar alguns outros igualmente relevantes.

1- Isolamento por processos internos

Infelizmente, ainda é muito mais comum do que gostaríamos, mas encontramos a todo o momento organizações completamente isoladas em feudos e silos operacionais. O isolamento as vezes é tanto que, nem os líderes entendem mais a lógica do “todo” e lutam para se manter em suas funções de controle e comando.

Quando ouvimos pessoas falando que o futuro é das organizações mais ágeis e não exatamente das maiores e mais poderosas, estamos ouvindo obviedades causadas por esse isolamento.

É praticamente impossível uma organização se manter competitiva sendo ela mesma o seu maior rival e algoz. É a entropia organizacional presente na prática diária.

Portanto, busque – imediatamente – alcançar a visão interfuncional da organização. A melhoria funcional isolada nunca foi a melhor alternativa e não será agora o seu momento de apogeu.

2- Decisões orientadas pela dor

Outro sintoma do isolamento funcional enraizado na organização. Gestores e lideranças que, no topo de seu silo funcional, orientam decisões e ações com base em sua própria dor – ou incapacidade de alcançar os resultados projetados.

Normalmente, não é exatamente um caso de má vontade do gestor, ele apenas está sendo “humano”. O medo toma conta e seu subconsciente faz o resto. Não precisa explicar muito. Todos já convivemos com pessoas com certas respostas prontas na ponta da língua. Coisas parecidas com:

“Não vamos perder tempo analisando! Já sei qual é a solução.” ou “Não temos tempo a perder com diagnóstico. Eu quero resultados!”

Quando escuto essas frases, penso que estou diante de duas possibilidades:

  1. A pessoa está traumatizada por iniciativas anteriores que não deram resultados;
  2. A pessoa não sabe do que está falando. É apenas a dor gritando.

Sem medo de errar, posso dizer e afirmar: Uma pessoa que se recusa a aceitar um diagnóstico preciso para depois definir um tratamento não está sendo razoável. Se você levar essa mesma situação para a saúde pessoal de quem disse isso, tenho certeza de que ela vai achar interessante fazer alguns exames…

Porém, não saia culpando o outro, existe uma grande chance de sermos nós os culpados.

3- Oceano de documentos

Quantas organizações não estão, nesse exato momento, afundando e se afogando num oceano de documentação sobre cada atividade dos processos… porém, nada disso é utilizado para tomar decisões.

Lembra do gestor que não quer saber de diagnóstico? Então, ele pode ter sido vítima desse oceano de documentos sem fim e/ou utilidade organizacional. Ele pode ser um náufrago.

Será que ele já não patrocinou projetos de levantamento e modelagem de processos durante meses/anos, e tudo que esses projetos entregavam eram…documentos. Papeis, books de processos, diagramas lotados de caixinhas coloridas e setinhas para todos os lados. E quando ele perguntava o que seria feito, o diagrama era tudo que ele recebia de resposta. Frustrante.

Sendo assim, antes de atirar uma pedrinha ou um paralelepípedo em seu gestor por “não gostar de processos” ou “não entender o valor de processos”, pergunte a si mesmo – lá no fundo do seu coração:

Você estava produzindo informação relevante para a tomada de decisão, ou estava diagramando processos e produzindo documentos que ninguém vai ler depois?
São coisas muito diferentes. Pode acreditar!

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Finalmente, e para encerrar a sequência de artigos, vamos falar um pouco sobre essa linha de ação que considera a neurociência como base para o design organizacional e até ações de marketing de relacionamento – a NeuroSDM. Ainda estamos desenvolvendo o BoK – Body of Knowledge (conjunto de conhecimentos comuns para o design organizacional) que, dentre outros temas, tratará da NeuroSDM.

Basicamente, quando falamos de considerar a neurociência, estamos – simplesmente – dizendo que, na hora de projetar melhorias em processos, produtos, serviços e experiências dos clientes, precisamos considerar a estrutura cerebral dos seres humanos e seus comportamentos associados. É incrível perceber o pouco ou nada que conhecemos sobre nós mesmos, e como tentamos “acertar” na hora de oferecer produtos e serviços para o nosso público.

Com a visão interfuncional dos processos, adquiro a capacidade de entender as relações entre os trabalhos no caminho para alcançar os objetivos organizacionais. Ao considerar a perspectiva de design, o resultado do todo caracteriza a eficácia e relevância do que estamos fazendo. Ao tentar adicionar significância, percepção de evolução e empatia com o próximo – a sociedade – estamos eliminado restrições e promovendo engajamento “gamificado” e benéfico para todos nessa relação. Porém, tudo isso é muito difícil de se alcançar sem trabalhar o conhecimento mais importante de todos. Entender a si mesmo e o próximo. Afinal de contas, se estamos falando de negócios, estamos falando de Pessoas, não de coisas e tecnologias.

A tecnologia está à nossa disposição, pronta para nos ajudar a construir melhores negócios. Negócios gerenciados com consideração humana. Negócios capazes de entregar melhores experiências para a sociedade com base no foco dos clientes e percepção do todo. Podemos dizer que, talvez, um dos maiores desafios dessa década não seja exatamente disputar mercado com startups disruptivas ou a substituição de trabalhos por inteligência artificial e robótica.

Talvez, nosso maior desafio seja o desbloqueio criativo por meio do desenvolvimento pessoal.
Inversamente proporcional ao que os apps e as redes sociais cheias de vazio nos proporcionam diariamente, esse desbloqueio será capaz de nos aproximar novamente e criar uma nova fase de empatia e construir jornadas individuais humanizadas e mais divertidas.

Afinal, se a tecnologia está aí para nos ajudar a eliminar trabalhos enfadonhos, socialmente, precisaremos reaprender a utilizar o nosso tempo livre.

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Written by Gart Capote, é uma das maiores referências para o tema BPM no Brasil. Realizou inúmeros projetos para os mais variados seguimentos de mercado e organizações públicas, incluindo Petrobras, Governo de São Paulo, diversos Ministérios brasileiros, UNESCO, Fundação Oswaldo Cruz etc. Já capacitou mais de 3000 profissionais em BPM e outros conhecimentos correlatos nos últimos anos, sendo um dos principais responsáveis pela divulgação e evolução do tema em todas as regiões do Brasil. Desde 2007 é seguido por milhares de profissionais, seus livros se tornaram referência nacional, sendo amplamente utilizados na aplicação prática diária, na educação superior, em concursos públicos e referência para teses de doutorado e mestrado. Foi o responsável pelo estabelecimento de chapters para a CPLP e colabora diretamente com EUA, Canadá, Brasil, Portugal e Angola no desenvolvimento e crescimento de chapters da ABPMP Internacional. Possui a empresa Solaris Consulting no Brasil e é sócio da empresa EuroPliancy em Portugal, apaixonado pela transformação de processos, produtos, serviços e resultados, atuante no Brasil e Europa para viabilizar melhores horizontes para organizações e seus clientes.